Veneno do bem pode se tornar a cura das feridas

Um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP), situado em Botucatu, SP, conquistou mais um importante passo para dar seguimento a uma pesquisa histórica de quase 30 anos, com o apoio de R$ 11 milhões de reais do Ministério da Saúde. Agora, vai ser possível colocar em prática o potencial terapêutico de uma substância existente no veneno das serpentes, a trombina, bastante eficaz em processos difíceis de cicatrização.

Para um dos médicos responsáveis pelo estudo, o doutor Benedito Barraviera, este novo investimento será um grande avanço após anos trabalhando para isolar e extrair a trombina, uma proteína localizada no veneno das serpentes que, ao entrar em contato com o fibrinogênio (outra proteína existente no sangue), ativa uma transformação molecular, surgindo então a fibrina, uma proteína fibrosa, capaz de produzir um tipo de selante, uma cola, muito eficaz em processos complicados de cicatrização.

Para exemplificar este avanço, a dentista Vera Alfredo utilizou o selante para tratar uma úlcera (ferida aberta) na canela direita. Foram realizadas 16 cirurgias e mais de 17 mil curativos, porém, tudo mudou quando Vera se voluntariou para um tratamento experimental de feridas crônicas usando o selante. E o resultado foi fantástico para Vera, que após 15 meses da cicatrização total, conseguiu voltar a usar bermuda depois de quase 50 anos.

Observa-se, então, que úlceras como a da Vera dificilmente fechariam com os cremes ou pomadas disponíveis no mercado atual, ao contrário do selante de fibrina, que produz uma camada de fibras biológicas sobre a ferida, como se fosse uma malha. E para aprimorar esta técnica, é preciso investir numa matéria-prima essencial para a produção do selante, o fibrinogênio. Atualmente, a proteína é extraída do plasma sanguíneo de búfalo.

Por fim, destaca-se a importância da iniciativa privada também contribuir oara o experimento, e não apenas depender de ações governamentais. Com isso, os impulsos financeiros são extremamente relevantes para a pesquisa e conseguem ajudar outras pessoas que nem a dentista Vera Alfredo.

Para saber mais notícias sobre o selante de fibrina e seus benefícios, clique aqui e confira a reportagem da CEVAP.